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Devaneios

  • 7 de jun. de 2021
  • 1 min de leitura

Hoje apetecia-me ir almoçar a casa da minha avó. Não que seja algum dia especial, de todo, só me apetecia entrar porta dentro e perguntar "Vó o que é o almoço?" e esperar "oh filha eu não sei se gostas mas eu frito-te uns ovos". Não acontecia com frequência porque até de cozido - que não sou apreciadora - eu gostava por ser o dela. Há dias que me sinto meia desorientada, sem saber bem o que ando a fazer e nesses dias gostava de a ter cá. Era mais fácil. Tranquilizante por saber que podia estar tudo a correr ao contrário mas no final do dia tinha o colo dela que me afagava a alma. Quem diz o colo diz aquele beijo tão bom que me esmagava. Tenho tantas saudades disso.

Sou um bocado medricas, sempre fui desde criança. Lembro-me que não ia sozinha à garagem de minha casa porque podia estar lá um ladrão. Ainda hoje é o dia que durmo com a luz do candeeiro acesa porque não sou muito fã do escuro. E geralmente quando ando sozinha na rua tenho sempre a sensação de que estou a ser seguida. Hoje em dia esses medos parecem pequenos comparados com o medo que tenho de algum dia me esquecer da sua voz. Ou então, com o medo que tenho que o seu cheiro desapareça - porque quase três anos passados e parece que ela nunca foi embora.


 
 
 

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