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2 (dois)

  • 15 de dez. de 2020
  • 1 min de leitura

Era a miúda que mais adorava o natal. Adorava a casa cheia, cheia como quem diz, cheia de nós os seis. Porque poucas vezes passou desse número: seis. Mas seis felizes, seis cheios de alma e seis com o coração a transbordar de amor. O amor que nos tínhamos - temos - que aquecia uma casa, uma casa com a lareira acesa.

A magia levaste-a contigo como as folhas que vão no vento. Ficou um rastilho. Que se apagou. Este ano nem consegui fazer as azuis piscar. Não fui capaz. Mas alguém o fez. Quem tem sempre força... que mulher. Ensinaste-a bem - ensinaram.

Já são dois... Dois a mais do que aqueles que eu pensava que não me iam faltar. Dois que não deviam estar a contar ainda. São dois mais tristes porque ainda por cima faltam-me a dobrar. Eras a única que tinha como certa por muitos anos e foste tu que foste primeiro. Apressada.

Tento adornar a casa para tentar preencher a falta que me fazes em cada buraquinho. Algumas luzes... muitas não... tenho uma luz maior, forte e intensa e não é da minha que falo. A tua está como pediram que a fizesse o ano passado e não mais a tirei dali. Está igual. Tal e qual como me mandaram, da forma que a viu. Não sei se tão cedo a tiro porque no dia em que a deixar de ter ali não sei se voltará para aquele lugar.

A magia? Essa volta um dia. E tu? Minha estrela guia.

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